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  Mapa de Solos do Brasil

IBGE e Embrapa lançam Mapa de Solos do Brasil (1:5.000.000)

Um aumento significativo da produtividade da agricultura brasileira desde 1975 permitiu poupar mais de 50 milhões de hectares de cerrado e floresta (área correspondente a duas vezes o estado de São Paulo) que poderiam ter sido desmatados para a abertura de novas áreas de plantio. Esse resultado pode ser atribuído ao uso intensivo de tecnologia no campo, substituição de atividade/cultura, bem como ao melhor aproveitamento das novas áreas, com o apoio de instituições de pesquisa que, muitas vezes, trabalham em parceria para obter resultados mais expressivos. Uma parceria desse tipo reuniu o Centro Nacional de Pesquisas de Solos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e o IBGE para elaborar o Mapa de Solos do Brasil (escala 1:5.000.000) que está sendo lançado hoje, com a presença dos presidentes da Embrapa e do IBGE. O novo mapa será em breve disponibilizado em meio digital e complementa a série Mapas Murais do IBGE, que inclui os mapas de Relevo, Vegetação, Geologia, Fauna e Clima do Brasil.

O Mapa de Solos do Brasil identifica e cartografa os diferentes tipos de solos encontrados no Brasil. Reúne informações e conhecimentos produzidos ao longo de mais de 50 anos de ciência do solo no Brasil e utiliza pela primeira vez a nomenclatura e as especificações recomendadas pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos - SBCS da Embrapa (1999), reflexo do avançado estágio de conhecimento técnico-científico dos solos tropicais pela comunidade científica brasileira. Para sua elaboração, foram utilizados os levantamentos exploratórios de solos produzidos pelo Projeto RadamBrasil ao longo das décadas de 1970 e 1980, complementados por outros estudos mais detalhados de solos produzidos principalmente pela Embrapa e pelo IBGE.

Além de fornecer uma visão panorâmica da grande diversidade de solos do país, o Mapa de Solos do Brasil permite visualizar a distribuição espacial das principais classes de solos, fornecendo informações úteis para diversos fins, como ensino, pesquisa e extensão. Especificamente para o planejamento territorial, mesmo sem trazer informações para uso local, o mapa contém informação estratégica para compreensão e avaliação da dinâmica da paisagem nacional, zoneamentos e planejamentos regionais e estaduais, além de planos setoriais, como uso e conservação dos recursos hídricos, corredores de desenvolvimento, sistemas viários e outros.

Os latossolos, que apresentam bom potencial para uso agrícola, aparecem no mapa em gradações da cor laranja (LA, LV e LVA). Estão espalhados por todo o território brasileiro, principalmente na região Centro-Oeste, mas também no Triângulo Mineiro e no Nordeste. Mais profundos, antigos e com baixa disposição à erosão, os latossolos são utilizados no Centro-Oeste para a produção de grãos, principalmente soja e milho. Essa utilização agrícola é praticada em geral de forma intensiva, com aplicação maciça de calcário e de fertilizantes químicos, bem como mecanização.

Esse tipo de solo também ocorre em grandes extensões dos tabuleiros costeiros do estado de Alagoas, onde são muito utilizados com a cultura da cana-de-açúcar, assim como no centro-oeste paulista. Já no Triângulo Mineiro, no oeste de Minas Gerais, os latossolos são muito utilizados para a cultura de café irrigada. Também a atividade pecuária do país se desenvolve largamente sobre latossolos, que em geral estão associados a relevos suaves.

No outro extremo da potencialidade agrícola se encontram os solos brasileiros mais jovens, típicos de serras e de relevos mais movimentados, chamados neossolos litólicos, representados no mapa em cor cinza de tonalidade média (RL). Encontrados em expressivas áreas do Sul e do Nordeste, esses solos apresentam sérios problemas de utilização devido à pouca profundidade, baixa retenção de água e dificuldade de penetração de raízes, além de predisposição à erosão.

Entre esses dois extremos, o Brasil apresenta solos com todo tipo de evolução e espessura. Entre todos, os de ocorrência mais freqüente são os argissolos, de moderada a alta suscetibilidade à erosão, que aparecem no mapa em tons de amarelo e ocre (PA, PV e PVA).

Os solos mais ricos, segundo sua utilização, são os nitossolos vermelhos (antigas terras roxas), de alta fertilidade, profundos a medianamente profundos. Representados no mapa em marrom arroxeado (NV), são terrenos de idade intermediária, originários de rochas básicas que, ao se decomporem, liberam nutrientes que originam solos ricos principalmente em cálcio, magnésio e potássio. Encontrados em regiões restritas do interior de São Paulo, nos estados da região Sul, no centro do Pará e na divisa de estados entre Maranhão e Tocantins, os nitossolos representam cerca de 1% do território nacional (aproximadamente 9,23 milhões de hectares). Na região Sul, principalmente no estado do Paraná, esses solos são utilizados para produção de soja, trigo e milho.

O mapa permite visualizar ainda outros tipos de solos. Os vertissolos (VC) e cambissolos(CX) do vale do rio São Francisco, principalmente em superfícies dos municípios de Petrolina PE e Juazeiro BA, são bastante utilizados com agricultura irrigada, destacando-se as culturas de cana-de-açúcar e a fruticultura - melão, manga, uva e melancia principalmente. Os planossolos (SG) do extremo sul do país são utilizados com cultura de arroz irrigada. Os cambissolos da chapada do Apodi, que ocupam expressivas superfícies dos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, são intensivamente utilizados com fruticultura irrigada, principalmente para produção de melão, maracujá e melancia.

Os solos são sempre produto da intemperização de rochas, que podem estar em vários estágios. Contudo, em seu processo de formação, atuam também outros fatores, como clima, relevo, microorganismos e seres vivos, aí incluído o ser humano. Essa transformação ocorre ao longo do tempo e quanto maior o tempo de exposição da rocha (material originário do solo), maior a evolução desse solo.

Conhecimento dos solos permite aumentar produtividade das lavouras

De 1975 a 2003, o Brasil praticamente triplicou sua produção de grãos (cereais, leguminosas e oleaginosas). A safra de 2003 ainda não está concluída, mas a produção esperada é de quase 120 milhões de toneladas (em 1975, o Brasil colheu menos de 40 milhões de toneladas). Já a área colhida cresceu, no mesmo período, apenas cerca de 32%. Desde 1975, portanto, o ganho de produtividade foi o fator que mais influenciou no crescimento da produção nacional de grãos, permitindo poupar áreas com vegetação natural sem precisar conter o avanço dos resultados da safra. Como a fronteira agrícola avança na direção oeste, pode-se supor que as áreas poupadas seriam tanto de cerrado quando de floresta amazônica.

A evolução da agricultura que utiliza intensivamente tecnologia se verifica em especial na região Centro-Oeste, onde se encontram grandes extensões de área com latossolos, tipo de solo que permite uma boa mecanização para a realização eficiente de operações desde o preparo de solo até a colheita. Foi justamente o tipo de solo que, somado a outras características, permitiu transformar o Centro-Oeste no principal produtor brasileiro de soja, produto muito relevante da pauta de exportações do agronegócio. A região também é grande produtora de milho, arroz e feijão, mas outras culturas, como o sorgo e o girassol, vêm despontando nesse cenário. Os latossolos são pobres em nutrientes, mas têm qualidades como pouca tendência à erosão e boa estrutura, o que permite a penetração das raízes e da água. Assim, o uso de latossolos demanda correção com nutrientes mas o plantio compensa economicamente graças à mecanização permitida pelo relevo suave ao qual geralmente está associado.

Comunicação Social
31 de julho de 2003



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