Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

English Español
A- A+

Geografia

Mapas

Mapa da Amaznia Legal - Fronteira Agrcola

Apresentando grande diversidade natural, social, econmica, tecnolgica e cultural, a Amaznia Legal constitui uma regio em crescente processo de diferenciao que contraria, em muito, a imagem difundida pelo mundo de um espao homogneo caracterizado pela presena de uma cobertura florestal que o identifica tanto interna quanto externamente.

Na atualidade, esse espao regional consolida sua participao no processo geral de transformao territorial do Brasil e, especificamente, naquele afeto s mudanas ocorridas no uso da terra, no qual a expanso/intensificao da agropecuria acaba determinando, em grande parte, a dinmica econmica e demogrfica desta imensa regio, esta ltima revelada, no Mapa, pelos indicadores de densidade demogrfica.

Assim, ao invs de reproduzir, como nas antigas reas de incorporao agrcola, estruturas produtivas preexistentes, a expanso recente da fronteira agropecuria na Amaznia constitui, antes de mais nada, uma fronteira tecnolgica na qual a inovao cientfica o elemento central de explicao do novo perfil produtivo do agro regional.

Nesse sentido, a distribuio dos cultivos de gros, em especial da soja, milho e arroz, assim como do algodo na Amaznia, mostrada no Mapa, tem sua dinmica espacial associada, em grande parte, no somente pesquisa cientfica, que possibilitou a adaptao de novas espcies vegetais s caractersticas do cerrado, como ao uso intensivo de mquinas, equipamentos e insumos, determinantes dos elevados ndices de produtividade a alcanados.

A potencialidade para o cultivo de gros em grande escala encontra-se, principalmente, nas reas de cerrados da Amaznia Legal, a includos o Mato Grosso, Tocantins e sul do Maranho, onde domina um clima com perodo seco definido e a topografia plana admite a mecanizao ao mesmo tempo que os solos apresentam caractersticas que respondem moderna tecnologia empregada.

Nesse sentido, a distribuio espacial das principais lavouras temporrias e, em especial, do cultivo da soja, revela a feio atual de uma dinmica territorial que conjuga inovao tecnolgica expanso horizontal de cultivos modernizados predominantemente em reas de cerrado de baixa densidade demogrfica. Tais reas eram tradicionalmente ocupadas por uma pecuria extensiva ou se apresentavam encobertas por uma vegetao original de cerrado ou, em menor escala, de floresta, s quais se associavam caractersticas naturais limitantes de seu potencial produtivo.

Partindo do municpio de Itiquira, a sudeste de Mato Grosso, a soja iria se expandir, nos anos 80, para a regio de influncia de Rondonpolis e, mais adiante, de Cuiab, alcanando, em meados dessa dcada, a poro central deste estado. Um registro desse deslocamento espacial constitui o posicionamento de Itiquira e Cuiab no ranking dos municpios que se destacam no contexto estadual, no qual Itiquira atinge o terceiro lugar, em 1985, e o quinto, em 1995, enquanto o municpio de Diamantino pularia de terceiro para o stimo lugar, entre esses dois anos comparativos.

Em meados da dcada de 90, Campo Novo dos Parecis, Sorriso, Primavera do Leste e Lucas do Rio Verde assumiriam a liderana na produo estadual revelando o deslocamento de uma produo, cada vez maior, que se deslocava do centro-sul para o centro-norte do Estado, em direo ao eixo da BR-163 (Cuiab-Santarm) onde o municpio de Sorriso, isoladamente, detm, atualmente, mais de 10% da produo nacional de soja.

No curso dessa dinmica, novos padres de uso agrcola da terra vo se consolidando nas reas de ocupao mais estabilizadas, como a regio de Rondonpolis, onde se afirma o binmio soja-milho.

J no eixo central da BR-163 aparecem grandes reas de expanso de soja at a altura dos municpios de Sorriso, que atualmente concentra mais de 10% da produo nacional, e Sinop, onde termina a atividade agrcola em grande escala, enquanto nas reas de domnio florestal, a norte desse municpio, sensvel diminuio do volume de produo associa-se o domnio da rizicultura enquanto cultura ligada incorporao de novas reas produo. Esta ltima aparece associada seja abertura de pasto ou mesmo, mais recentemente, implantao de novas culturas comerciais, como a soja, milho e, mais recentemente, o algodo.

Com efeito, na regio de Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, onde se encontra a rea de transio entre o cerrado e a floresta, com a mudana da paisagem pelo aumento da declividade, presena de solo pedregoso e ndices de pluviosidade mais elevados que na regio de cerrado, a produo agrcola se reduz drasticamente.

Para oeste, pela regio alcanada direta e indiretamente pela BR-364 (Cuiab-Porto Velho), a lavoura da soja atingiria enorme expresso territorial e elevado nvel de capitalizao dentro de uma dinmica que j comea a penetrar no territrio de Rondnia a partir do sudeste.

Hoje em dia, o crescimento de alguns plos de plantio de soja na regio de Santarm e de Marab e Redeno, no Par, reflete a implementao de polticas estaduais de incentivo a plantios comerciais fora das reas de expanso dessa cultura nos cerrados de Mato Grosso, Tocantins e de Balsas, no sul do Maranho e Piau.

Associada ao processo de expanso da fronteira agrcola, a distribuio espacial das reas desmatadas, assim como dos focos de calor, reflete, diretamente, o crescimento de atividades intrinsecamente articuladas a esse processo, tais como a extrao de madeira e a abertura de pastagem, que compem, juntamente com a expanso do cultivo de gros, um mosaico de usos diferenciados do espao amaznico que vem alterando, de forma radical, a dinmica tradicional de ocupao da Amaznia brasileira.

Com efeito, a entrada da agricultura capitalizada na Amaznia constitui uma novidade histrica no uso da terra de uma regio cuja economia girava em torno da atividade extrativa mineral e do extrativismo vegetal, principalmente, da borracha, cuja sobrevivncia, na atualidade, depende, em grande parte, do empenho das populaes locais em preservar suas formas coletivas de apropriao e uso dos recursos naturais, contando para isso com forte apoio internacional.

Acumulam-se, assim, evidncias sinalizadoras de importantes mudanas na estrutura e desempenho do setor agropecurio nessa regio muitas das quais associadas introduo de novas tecnologias, mtodos e culturas no campo, cujos efeitos afetam o ambiente natural - via desmatamento, eroso e poluio hdrica, entre outros - assim como recaem sobre a gerao de renda, emprego e condies de vida geral de sua populao.

Finalmente, dentre os elementos centrais que acompanham e induzem o movimento de transformao nessa regio, a expanso da rede viria conjugada da rede de cidades e vilas constituem, seguramente, a face mais visvel das transformaes operadas no territrio amaznico.

Com efeito, a criao de novos povoados, vilas e cidades, isto , a distribuio das sedes urbanas constituem fator preponderante na dinmica de expanso da fronteira agropecuria nessa imensa regio cuja vida econmica era pautada, at h bem pouco tempo, pelo ritmo e acesssibilidade ditados pelo traado dos rios.

Servindo de ponto de apoio tcnico e operacional alm de plo de difuso da comunicao regional, as cidades do interior amaznico concentram, cada vez mais, os servios e a mo-de-obra envolvidos na realizao, em bases modernas, do processo de produo agro-industrial.

Nesse sentido, no s a expanso agropecuria est intimamente associada com a dos demais setores econmicos, como existe uma ordem de precedncia nessa associao no sentido de que o crescimento da agropecuria antecede (e determina) o crescimento da indstria e dos servios mesmo em reas onde a poltica pblica no atuou, fundamentalmente, em apoio s atividades urbanas.

A expanso da produo e a contnua ampliao-intensificao das reas incorporadas s atividade agropecurias ampliam a demanda interna e atraem investimentos em infra-estrutura, criando um vasto leque de oportunidades no s para o setor industrial e de servios envolvido diretamente no agronegcio na Amaznia.

Alm dessas oportunidades geradas, os servios ligados diretamente populao urbana constituem um dos ramos que tem se beneficiado diretamente com o surgimento e ampliao das pequenas e mdias cidades situadas na fronteira amaznica, envolvendo, nesse sentido, a demanda por escolas, servios mdicos e de alimentao, alm de estimular o crescimento do comrcio local, ampliando o leque de atividades reveladoras da slida associao campo-cidade que acompanha na atualidade a expanso da fronteira agropecuria na Amaznia.

Nesse sentido, a convergncia dos padres regionais de uso da terra longe de expressar a continuidade do projeto geopoltico de incorporao da fronteira, que marcou a ocupao territorial da Amaznia nos anos 70, expressa, atualmente, um processo de ocupao agropecuria associada a uma maior articulao ao espao econmico nacional a partir de interesses provenientes tanto de fora como de dentro da prpria regio.