Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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Pesquisa Nacional Por Amostra de Domiclios - PNAD 2001

Comentrios

1.1 - Populao Residente, por situao do domiclio e sexo, segundo os grupos de idade

As informaes da PNAD ora divulgadas retratam a situao socioeconmica brasileira no primeiro ano do milnio e, juntamente com a srie de seus resultados anteriores, possibilitam acompanhar, desde o mbito nacional at o metropolitano, a evoluo ocorrida no Pas em termos demogrficos, educacionais, de habitao e trabalho.

Composio e mobilidade populacional


O acompanhamento da evoluo da estrutura etria do Pas revelou o paulatino envelhecimento da populao, resultante da reduo da fecundidade associada queda da mortalidade. A taxa de fecundidade, que a partir da dcada de 1990 passou a declinar de forma mais moderada que nas duas dcadas anteriores, diminuiu de 2,6, em 1992, para 2,3, em 2001. Ainda que o declnio da fecundidade tenha comeado em meados da dcada de 1960, devido ao elevado nmero de mulheres em idade reprodutiva existentes, somente duas dcadas adiante mostrou nitidamente os seus efeitos na estrutura etria. O estreitamento da base da estrutura etria pode ser percebido na evoluo da participao dos grupos qinqenais mais jovens. Em meados da dcada de 1980, o grupo de 0 a 4 anos de idade deixou de ser o maior e, em 1992, o grupo de 10 a 14 anos de idade superou os dois anteriores. Com o prosseguimento deste processo, em 2001 o grupo de 15 a 19 anos de idade suplantou, claramente, os trs primeiros. J o outro extremo da estrutura etria vem refletindo o gradual aumento da participao de idosos na populao.

De 1992 para 2001, a participao do grupo de menos de 10 anos de idade na populao decresceu de 22,1% para 18,7% e a do contingente de 60 anos ou mais de idade passou de 7,9% para 9,1%. Nesse perodo houve diminuio no nmero de crianas de menos de 10 anos de idade e crescimento no de idosos. Um indicador que pode ser construdo para mostrar a evoluo do processo de envelhecimento populacional o que relaciona o nmero de idosos de 60 anos ou mais de idade para cada 100 crianas de menos de 10 anos de idade. Este indicador estava em 35,6 em 1992 e atingiu 48,4 em 2001.

A Regio Sudeste manteve a estrutura etria mais envelhecida, vindo logo em seguida a da Regio Sul. A Regio Norte urbana permaneceu com a estrutura etria mais jovem e a Regio Nordeste, refletindo seu nvel de fecundidade inferior apenas ao da Regio Norte, deteve a segunda maior participao de crianas de menos de 10 anos de idade e, devido ao seu histrico processo de emigrao, apresentou, tambm, a segunda maior participao de idosos de 60 anos ou mais de idade.

Como resultado da mortalidade diferenciada por gnero, constatou-se um excedente feminino na composio da populao, o que se torna mais evidente nas idades mais elevadas. Em 2001, a parcela feminina representava 55,8% do contingente de pessoas de 60 anos ou mais de idade.

Em 2001, as pessoas brancas representavam 53,4% da populao do Pas e as pardas, 40,4%. Em termos regionais, a composio por cor ou raa bastante diferenciada, refletindo a origem das vrias correntes migratrias que se distriburam de formas diversas no Territrio Nacional. Em 2001, as pessoas brancas constituam 63,4% da populao da Regio Sudeste, sendo esta proporo inferior apenas da Regio Sul (84,0%). As pessoas de cor parda predominavam nas Regies Norte urbana (68,4%), Nordeste (64,1%) e Centro-Oeste (51,7%).

Como resultado dos movimentos migratrios, perto de 41% da populao do Pas eram no-naturais do municpio de residncia e cerca de 16% eram no-naturais da Unidade da Federao de moradia. Em termos regionais, a composio da Regio Nordeste mostra os efeitos das sadas histricas de sua populao em busca de condies de vida melhores em outras reas do Pas, e as das Regio Centro-Oeste e Norte urbana, os reflexos das correntes migratrias que receberam nas ltimas dcadas. Em 2001, a proporo de pessoas no-naturais da Unidade da Federao de residncia ficou em apenas 7,5% no Nordeste e situou-se em 37,4% no Centro-Oeste.

Os migrantes apresentam estrutura etria mais envelhecida em decorrncia de as levas migratrias apresentarem maior concentrao em pessoas adultas que se deslocam em busca de melhores oportunidades de trabalho. Em 2001, a proporo de pessoas de 60 anos ou mais de idade situou-se em 15,1% no conjunto das no-naturais da Unidade da Federao de moradia e ficou em 7,9% no das naturais. Em conseqncia da sua estrutura etria mais envelhecida, a populao de migrantes apresenta maior participao na fora de trabalho do que a de no-migrantes. A taxa de atividade das pessoas de 10 anos ou mais de idade foi de 59,8% para as naturais da Unidade da Federao de residncia e de 63,5% para as no-naturais.

Situao educacional


A situao educacional continuou apresentando expressivas melhorias no Pas. O crescimento da escolarizao vem reduzindo o analfabetismo e elevando o nvel de instruo da populao, diminuindo disparidades regionais.

De 1996 para 2001, o percentual de crianas de 7 a 14 anos de idade fora da escola decresceu de 8,7% para 3,5%. Este indicador, em 1992, situava-se em 13,4%. A comparao entre os resultados regionais revelou que, de 1996 para 2001, esta proporo recuou de 5,9% para 2,6% no Sudeste, que detentor do maior grau de escolarizao, e de 13,6% para 4,8% no Nordeste, que, apesar da melhoria alcanada, permaneceu no outro extremo.

Embora os resultados venham gradualmente se aproximando, a taxa de escolarizao das meninas ainda superava a dos meninos em 2001. O fato de haver mais meninos do que meninas no contingente de crianas trabalhando tem influncia na diferena existente entre as suas taxas de escolarizao. Em cinco anos, na faixa de 7 a 14 anos de idade, o percentual de meninos fora da escola decresceu de 9,3% para 3,7%, enquanto o de meninas declinou de 8,2% para 3,3%.

Na faixa etria de 10 a 14 anos de idade, em que se espera que a criana esteja pelo menos alfabetizada, a taxa de analfabetismo estava em 12,4% em 1992, baixou para 8,3% em 1996 e, cinco anos depois, caiu para 4,2%. No Nordeste, este indicador estava em 29,0% em 1992, tendo decrescido de 20,2% para 9,5% de 1996 para 2001. Apesar do avano, este ltimo resultado ainda ficou muito distanciado dos referentes s Regies Sul (1,2%), Sudeste (1,2%) e Centro-Oeste (1,9%).

Em 2001 foi includa na Pesquisa a investigao da rede de ensino freqentada. Constatou-se que freqentavam escola pblica 30,1% dos estudantes do ensino superior, 78,5% do ensino mdio, 89,8% do ensino fundamental, e 75,1% do pr-escolar. Em termos regionais, o percentual de estudantes em escola pblica no ensino pr-escolar e fundamental ficou mais alto no Sul e no ensino mdio e superior foi mais elevado no Nordeste. Cabe ressaltar que a proporo de estudantes de ensino superior na rede pblica do Nordeste (52,1%) destacou-se acentuadamente das referentes s demais regies, especialmente em relao do Sudeste (19,7%) que foi a menor.

A proporo de pessoas com 10 anos ou mais de idade que concluram pelo menos o ensino mdio (ou nvel equivalente), passou de 16,3% em 1996 para 21,7% em 2001. Entre os ocupados, as pessoas com pelo menos o ensino mdio concludo passaram a representar 28,9% em 2001, contra 22,0% de 1996 e 18,4% em 1992.

Em decorrncia de a taxa de escolarizao feminina ter permanecido mais elevada, o nvel de instruo das mulheres manteve-se em patamar nitidamente mais alto que o dos homens. Em 2001, a proporo de mulheres que concluram pelo menos o ensino mdio (ou nvel de instruo equivalente) atingiu 23,2%, situando-se 3,1 pontos percentuais acima da referente populao masculina. Ademais, a disparidade entre o nvel de instruo dos dois gneros mostrou-se muito mais acentuada na populao ocupada, pois o interesse feminino em ingressar no mercado de trabalho tende a aumentar com a elevao do seu nvel educacional. Em cinco anos, a proporo de pessoas que concluram pelo menos o ensino mdio (ou nvel de instruo equivalente) subiu de 18,6% para 24,6%, na populao ocupada masculina, e de 27,3% para 35,1%, na feminina.

Situao do mercado de trabalho


De 1999 para 2001, o nmero de pessoas ocupadas cresceu 1,4% em mdia anual, menos que o incremento constatado para a populao de 10 anos ou mais de idade (1,7% em mdia anual). Em 2001, o nvel da ocupao (percentual de pessoas ocupadas na populao de 10 anos ou mais de idade) ficou em 54,8%, prximo daquele de 1999 (55,1%). O acompanhamento da evoluo do nvel de ocupao de 1992 a 2001 revelou que este indicador apresentou sensvel reduo de patamar em 1996. Na populao feminina, o nvel da ocupao permaneceu estvel de 1999 (43,0%) para 2001 (43,1%), enquanto na masculina passou de 67,9% para 67,4%. No perodo de 1992 a 2001 este indicador da populao masculina manteve tendncia de queda, enquanto o da feminina, apesar de ter apresentado, tambm, retrao de nvel em 1996, mostrou sinal de recuperao em 1999.

A taxa de desocupao passou de 9,6%, em 1999, para 9,4%, em 2001. Esta taxa da populao masculina permaneceu mais elevada que a da feminina.

A participao das pessoas ocupadas em atividade agrcola apresentou acentuado declnio de 1999 para 2001, continuando a sua histrica tendncia descendente, que pode ter sido acelerada pelo uso cada vez mais difundido de tecnologias mais atualizadas neste segmento da economia. De 1999 para 2001, o percentual de pessoas em atividade agrcola na populao ocupada caiu de 24,2% para 20,6%. Constatou-se que somente o nmero de empregadores apresentou variao positiva, ainda que muito reduzida (1,0% em mdia anual) e que a maior reduo de pessoal ocorreu no contingente dos trabalhadores no-remunerados (11,3% em mdia anual). Em decorrncia de a maior perda de pessoal ter sido no contingente de trabalhadores no-remunerados e a menor na dos empregados (2,8% em mdia anual), as suas participaes na atividade agrcola foram sensivelmente alteradas. De 1999 para 2001, na populao ocupada no ramo agrcola, o percentual de trabalhadores no-remunerados passou de 27,4% para 24,6% e o de empregados, de 25,4% para 27,3%.

De 1999 para 2001, no grupo dos empregados em atividade agrcola, o nmero de pessoas com carteira de trabalho assinada apresentou forte reduo (5,5% em mdia anual), enquanto no de pessoas sem carteira de trabalho assinada a queda foi relativamente pequena (1,7% em mdia anual). Como conseqncia, a participao das pessoas com carteira de trabalho assinada no contingente de empregados em atividade agrcola caiu de 30,0% para 28,3% de 1999 para 2001. Cabe ressaltar que este indicador da formalizao do emprego agrcola atingiu seu mximo em 1999 e o resultado de 2001, ainda que superior aos alcanados no perodo de 1992 a 1995, ficou abaixo dos atingidos na segunda metade da dcada de 90.

Devido forte retrao de pessoal do ramo agrcola, o crescimento do segmento no-agrcola, ainda que importante, foi insuficiente para elevar o nvel da ocupao como um todo. De 1999 para 2001, contrapondo-se queda de 6,4% em mdia anual no contingente ocupado em atividade agrcola, o nmero de pessoas ocupadas em atividade no-agrcola, que representava 79,4% da populao ocupada, cresceu em 3,8% em mdia anual. Dos dez ramos que compem a atividade no-agrcola, apenas o das outras atividades decresceu, sendo que o da construo civil apresentou aumento insignificante e os demais tiveram elevaes expressivas.

No emprego em atividade no-agrcola, verificou-se que houve crescimento, de 1999 para 2001, tanto no pessoal empregado com carteira de trabalho assinada (5,7% em mdia anual) como no sem registro (6,5% em mdia anual). Na parcela do emprego registrado formada pelos militares e funcionrios pblicos estatutrios (que constitui a menor parcela dos empregados), no houve alterao relevante (variao negativa de 0,1% em mdia anual). Apenas o contingente de funcionrios pblicos municipais apresentou expanso (3,4% em mdia anual), ainda que menor que as observadas de 1997 para 1998 (11,1%) e de 1998 para 1999 (10,3%), enquanto os das esferas federal e estadual tiveram queda. Em mdia anual, no mbito estadual o declnio foi de 1,4% e no conjunto dos militares e funcionrios pblicos federais a baixa atingiu 2,5%.

A partir de 1995 constatou-se tendncia de queda de pessoal na indstria de transformao, refletindo as mudanas estruturais que foram intensificadas, especialmente nos segmentos industriais mais organizados, em busca de maior produtividade para ganhar competitividade e que implicaram menor utilizao de mo-de-obra. Tambm contriburam para manter esta tendncia, as turbulncias na ordem econmica internacional que ocorreram em 1997 e 1998. Pode-se supor que a recuperao que comeou a despontar ao final de 1999 e ganhou mpeto em 2000 foi forte o suficiente para manter o saldo positivo no pessoal ocupado na indstria de transformao em 2001, ano em que houve perda de impulso da produo industrial como um todo. Em mdia anual, o pessoal ocupado na indstria de transformao apresentou crescimento de 4,8% de 1999 para 2001, fazendo com que a sua participao na populao ocupada passasse de 11,6% para 12,3%.

O contingente de empregados com carteira de trabalho assinada no ramo da indstria de transformao, fortemente concentrado em empreendimentos de maior porte, que vinha em ritmo de queda desde 1995, apresentou crescimento mdio anual de 5,7% de 1999 para 2001 e o dos empregados no registrados aumentou em 2,9%, mostrando elevao pouco inferior observada de 1998 para 1999.

Constatou-se que o pessoal ocupado na indstria da construo teve aumento insignificante de 1999 para 2001 (0,7% em mdia anual). Nesse perodo, os trabalhadores por conta prpria tiveram queda mdia de 0,9% ao ano e os empregados sem registro, de 0,2%, enquanto os empregados com carteira apresentaram incremento de 2,7% e os empregadores de 4,3%. Os trabalhadores por conta prpria representavam parcela bastante elevada do pessoal ocupado em construo civil (39,7% em 2001), logo a sua diminuio de 1999 para 2001, ainda que reduzida, permitiu perceber que houve desacelerao no segmento das pequenas obras e reformas desenvolvidas por empreendimentos menores onde se concentra esta categoria. O aumento verificado no nmero de empregados com carteira de trabalho assinada pode ser visto como um indicativo de expanso da atividade no segmento dos empreendimentos maiores, que so os que agregam a maioria dos empregados com carteira de trabalho assinada. No caso dos empregados no registrados, no houve crescimento na categoria como um todo, em decorrncia da liberao da mo-de-obra que estava ocupada pelo setor pblico em 1999 em frentes de trabalho em construo civil, no Nordeste, com pessoal deslocado da agricultura, uma vez que no setor privado houve incremento de 6,1% em mdia anual. Na Regio Nordeste, o decrscimo na categoria do emprego sem registro ocupada pelo setor pblico, no qual o contingente deslocado da agricultura para as frentes de trabalho se inseriu, foi de 62,8% em mdia anual.

De 1999 para 2001, houve aumento marcante no pessoal ocupado no comrcio de mercadorias (4,6% em mdia anual), mantendo a tendncia de crescimento deste setor. O contingente que mais contribuiu para este aumento foi o dos empregados com carteira de trabalho assinada (9,2% em mdia), o que fez com que a sua participao no pessoal ocupado no comrcio de mercadorias passasse de 33,3% em 1999 para 36,3% em 2001. Tambm foi elevado o aumento no contingente de empregados no registrados (5,5% em mdia anual), bastante superior ao constatado para os trabalhadores por conta prpria (2,9% em mdia anual).

O pessoal ocupado no setor de servios como um todo aumentou, em mdia anual, 3,8%, de 1999 para 2001, mantendo sua trajetria ascendente. Entre os ramos que o compem, todos, com exceo do grupo das outras atividades, apresentaram expanso. O ramo da prestao de servios, que detinha 44,7% do pessoal ocupado no setor de servios, aumentou em 1 045 mil pessoas de 1999 para 2001. As pessoas ocupadas no servio domstico remunerado contriburam com 428 mil pessoas para esse aumento.

De 1999 para 2001, em mdia anual, o contingente dos trabalhadores domsticos teve alta de 3,8%. A sua maior parcela, formada pelas pessoas sem carteira de trabalho assinada, apresentou acrscimo, em mdia anual, de 3,1%, que foi muito inferior ao aumento de 5,9% constatado na parcela dos trabalhadores com carteira de trabalho assinada, mostrando que prosseguiu o crescimento na formalizao do emprego no servio domstico remunerado. Em 2001, no contingente dos trabalhadores domsticos, 26,1% tinham carteira de trabalho assinada, quando em 1996 eram 22,2% e, em 1992, representavam 17,5%.

Trabalho infantil


O nmero de crianas de 5 a 14 anos de idade ocupadas continuou apresentando tendncia de declnio. De 1999 para 2001, o contingente de 5 a 14 anos de idade ocupado baixou em 739 mil crianas, representando uma queda de 13,3% em mdia anual. A participao das crianas ocupadas no total do grupo etrio de 5 a 14 anos de idade caiu de 9,0% para 6,8% de 1999 para 2001. Em 1992 este indicador estava em 12,1%.

De 1999 para 2001, a proporo das crianas que trabalhavam reduziu-se de 2,4% para 1,8%, no grupo de 5 a 9 anos de idade, e passou de 14,9% para 11,6%, no grupo de 10 a 14 anos de idade. Em 1992, este indicador estava em 3,7% para o contingente de crianas de 5 a 9 anos de idade e em 20,4% para o de 10 a 14 anos de idade.

Constatou-se ainda que o diferencial entre os gneros foi mantido. De 1999 para 2001, a proporo de crianas ocupadas no contingente de 5 a 14 anos de idade baixou de 11,8% para 9,1% entre os meninos, e de 6,0% para 4,5% entre as meninas.

A mo-de-obra infantil est mais concentrada em pequenos empreendimentos familiares, especialmente no setor agrcola, e desenvolvendo trabalhos sem contrapartida de remunerao. Em 2001, a atividade agrcola detinha 58,7% das crianas ocupadas de 5 a 14 anos de idade. No grupo etrio de 5 a 9 anos este percentual atingiu 75,9%, e no de 10 a 14 anos de idade ficou em 56,0%.

Sindicalizao e cobertura previdenciria

Em mdia anual, de 1999 para 2001, o nmero de contribuintes de instituto de previdncia, em qualquer trabalho, apresentou acentuada elevao (3,9%) e a sua proporo na populao ocupada subiu de 43,5% para 45,7%. Este percentual de 2001 foi nitidamente mais alto do que os observados durante a dcada passada, em que o mximo alcanado foi de 44,3% em 1998.

O percentual de contribuintes na populao ocupada em atividade no-agrcola aumentou de 54,0% em 1999 para 54,7% em 2001, enquanto em atividade agrcola, apesar da retrao apresentada no pessoal ocupado, este indicador permaneceu praticamente inalterado, tendo passado de 9,9% para 10,0%.

O nvel da sindicalizao pouco variou de 1992 a 2001. A participao das pessoas sindicalizadas na populao ocupada ascendeu de 16,1% em 1999 para 16,7% em 2001, igualando-se ao indicador de 1992 que foi o mais elevado da dcada anterior, em que o mnimo foi atingido em 1999. Em 2001, a sindicalizao permaneceu menor nos ramos da indstria da construo (6,5%) e da prestao de servios (5,9%). O ramo que apresentou maior crescimento na sindicalizao desde o princpio da dcada passada foi o agrcola. De 1992 para 2001, o percentual de pessoas sindicalizadas na populao ocupada no ramo agrcola subiu de 13,5% para 20,2%.

Reflexo da situao econmica nos rendimentos


As medidas drsticas contidas no Plano Brasil Novo, que afetaram indistintamente a todas as faixas de rendimento, atingindo as mais altas com maior intensidade, colocaram as remuneraes de 1990 em nvel inferior aos dos quatro anos anteriores, e reduziram o seu grau de concentrao. A recesso que se seguiu a este plano fez com que os rendimentos continuassem em curva descendente at 1992. A poltica salarial implantada em 1991, que de certa forma protegia as faixas salariais mais baixas, contribuiu para que a concentrao dos rendimentos continuasse a cair at 1992. Em 1993, o despontar da recuperao econmica, embora acompanhado de recrudescimento da espiral inflacionria, e uma poltica salarial mais favorvel propiciaram a elevao das remuneraes. Este impulso positivo se fez sentir com maior intensidade nas faixas de remunerao mais altas, revertendo o sentido descendente da concentrao dos rendimentos.

O Plano Real, institudo em julho de 1994, provocou, de imediato, queda brusca da inflao, propiciou a acelerao do crescimento econmico e a alta dos rendimentos. A indexao ainda mantida neste plano, que s foi totalmente eliminada em junho de 1995, de certa forma protegeu as categorias de remuneraes mais baixas. Os ganhos decorrentes deste perodo favorvel de estabilidade alcanaram a base da pirmide dos rendimentos em 1995, ocasionando retrao no grau de concentrao das remuneraes. Em 1996, passada esta primeira fase do Plano Real, os ganhos reais nos rendimentos ajustaram-se a patamares menores em funo da nova realidade de estabilidade da economia e, de uma maneira geral, cresceram de forma inversa ao valor dos rendimentos, reduzindo o grau de concentrao das remuneraes. As duas crises, decorrentes de perturbaes na ordem econmica internacional, ocorridas nos dois anos seguintes determinaram ajustes na poltica econmica do Pas. A primeira crise ocorreu aps o perodo retratado pela pesquisa de 1997, enquanto a segunda foi deflagrada pouco antes da pesquisa de 1998, no sendo captado plenamente o agravamento que causou, uma vez que h uma defasagem entre a ocorrncia de impacto na economia e as suas conseqncias no mercado de trabalho e nos rendimentos. As remuneraes tiveram redues pouco expressivas tanto em 1997 como em 1998, e o grau de concentrao dos rendimentos, estabilizado em 1997, diminuiu em 1998, em funo de ter havido ganhos na metade inferior da pirmide dos rendimentos e pequenas perdas na outra metade, especialmente nas remuneraes de trabalho, j comeando a indicar o impacto recessivo. Os rendimentos atrelados ao salrio mnimo, que teve ganho real, foram um dos fatores que ajudaram a sustentar o aumento na metade inferior da distribuio das remuneraes.

Em 1999, comearam a surgir indcios de recuperao na economia, mas houve aumento da inflao que vinha em ritmo de declnio desde a implantao do Plano Real, causando pequena perda real no valor do salrio mnimo. Alm deste fato, as conseqncias do perodo recessivo causaram perdas reais nos rendimentos. Em 1999, os rendimentos tiveram substancial reduo, que atingiu com intensidade um pouco maior as remuneraes mais altas. A participao no total das remuneraes retiradas do segmento do topo distribuiu-se entre os demais, reduzindo o grau de concentrao dos rendimentos. Em 2000, firmou-se o processo de recuperao que foi revertido em 2001, ano em que o racionamento de energia e o crescimento das taxas de juros contriburam para a desacelerao da economia e a inflao continuou em elevao. Estes fatores causaram, em 2001, perda real, ainda que relativamente pequena nos rendimentos, mantendo a tendncia de queda iniciada em 1997. Em valores reais, o salrio mnimo de 2001 foi o maior do perodo de 1990 a 2001 e superou em 15,3% o de 1999, o que contribuiu decisivamente para o ganho real observado na metade inferior da distribuio dos rendimentos, pois a faixa que mais concentrava este rendimento apresentou elevada alta. Na metade superior da distribuio dos rendimentos o sentido foi de reduo, o que implicou estabilidade no nvel da concentrao dos rendimentos.

De 1999 para 2001, em mdia anual, a perda real entre os 10% dos ocupados com as menores remuneraes de trabalho foi de 1,6% e, no outro extremo, entre os 10% com os maiores rendimentos, de 0,3%. Entretantos no segmento em que mais se concentravam as pessoas ocupadas remunerada com o salrio mnimo (terceira faixa inferior da distribuio) o ganho real foi de 4,7% em mdia anual. No perodo de 1992 a 1999, o ndice de Gini da distribuio dos rendimentos de trabalho atingiu o mximo (0,600) em 1993 e o mnimo (0,566) em 2001, ficando estvel em relao ao de 1999 (0,567). O confronto regional mostrou que o grau de concentrao dos rendimentos manteve-se mais elevado no Nordeste e no Centro-Oeste.

Do total das remuneraes de trabalho, os 10% dos ocupados com os maiores rendimentos detinham 48,1% em 1990, alcanaram 49,0% em 1993 e ficaram com 46,1% em 2001.

A remunerao mdia das pessoas com rendimento de trabalho apresentou, de 1999 para 2001, reduo mdia anual de 0,7%. Esta remunerao ficou abaixo das alcanadas a partir de 1995. Em termos regionais, o Nordeste continuou detendo remuneraes mdias acentuadamente inferiores s das demais regies.

Os resultados de 2001 mostraram que a defasagem entre os rendimentos dos dois gneros continuou diminuindo, todavia a remunerao mdia de trabalho das mulheres ainda ficou em patamar muito inferior ao dos homens. O rendimento mdio das mulheres com remunerao de trabalho em 1996 representava 65,9% do recebido pelos homens e, cinco anos depois, alcanou 69,6%.

Condies da habitao e posse de bens durveis

O racionamento de energia que vigorou no Pas em parte do ano de 2001 determinou mudanas nas decises das famlias em relao compra e manuteno de determinados bens. A necessidade de economizar energia conduziu desacelerao no crescimento dos domiclios dotados de freezer, uma vez que este no um bem to essencial quanto geladeira. De 1999 para 2001, o nmero de habitaes dotadas de freezer teve aumento insignificante (0,7% em mdia anual), sensivelmente inferior ao de 1998 para 1999, que foi de 2,2%. O percentual de habitaes dotadas de freezer caiu de 19,6% em 1999 para 18,8% em 2001.

Tanto o nmero de moradias com geladeira como o de domiclios dotados de mquina de lavar tiveram os maiores crescimentos constatados de 1999 para 2001, (ambos com 4,4% em mdia anual). De 1999 para 2001, o percentual de moradias com geladeira subiu de 82,8% para 85,1% e o de habitaes com mquina de lavar roupa, de 32,8% para 33,7%.

Em 1999, devido ao crescimento pouco intenso de moradias com rdio, o percentual de domiclios em que havia este bem j mostrava retrao em relao ao do ano anterior, mas ainda superava o de domiclios com televiso, que mantinha trajetria ascendente. Em 2001, o percentual de moradias com televiso (89,0%) ultrapassou o de habitaes com rdio (88,0%). Em 1999, a participao das habitaes com rdio estava em 89,9% e a daquelas com televiso, em 87,8%.

Em 2001, passou a ser pesquisada a existncia de microcomputador nas residncias e foi verificado que 12,6% dos domiclios tinham este bem. Tambm foi constatado que 8,6% dos domiclios tinham microcomputador com acesso internet.

O nmero de domiclios com linha telefnica continuou crescendo a taxas bastante elevadas, em decorrncia do aumento da oferta. Em 2001, os domiclios atendidos por linha telefnica fixa ou mvel representavam 58,9%, sendo que, em 1999, eram 37,6%. Os domiclios atendidos unicamente por linha mvel celular eram 7,8% em 2001.

Os servios essenciais de saneamento bsico, coleta de lixo e iluminao eltrica, que so de grande importncia para a melhoria das condies de vida e sade da populao, continuaram ampliando a sua abrangncia. Destes servios, o que alcanou maior cobertura foi o de iluminao eltrica, que atendia a 94,8% das habitaes em 1999 e atingiu a 96,0% em 2001. A proporo de residncias atendidas por servio de coleta de lixo passou de 80,0% em 1999 para 83,2% em 2001. Quanto s condies de saneamento bsico, em 2001 havia 18,9% das moradias que no eram atendidas por rede geral de abastecimento de gua e 33,2% que no dispunham de esgotamento sanitrio adequado (existente quando a instalao sanitria ligada a rede coletora de esgoto ou a fossa sptica). Em 1999, estes percentuais estavam, respectivamente, em 20,2% e 35,3%.